quarta-feira, 6 de julho de 2011

e como se faz com o tempo?

Postado Por Keth Postado As 10:52 Com Sem Comentarios
Pra uma pessoa que sempre se disse intensa e cheia de paixões, encarar essa fase mais "realidade" é meio tortuoso... na verdade, não é ruim... mas é diferente.

Aos vinte a forma física ajudava mais que hoje, mas havia uma insegurança estranha, meio difícil de lidar... uma necessidade absurda de ser amada, de viver e morrer de amores. Era tudo tão pra ontem, tão urgente, tão absolutamente importante.

Dez anos depois, acredito ainda ter, sim, um pouco dessa urgência e intensidade. Mas surgiu uma tal preguiça... eu tenho vontade, eu até quero, mas eu não tenho tempo ou mesmo saco pra insistir... posso até insistir, mas por carência e, depois... o que fica, é preguiça, do mesmo jeito!

Aos trinta, pode até ser que a forma física dos vinte tenham ido embora, mas o que vc conhece e sabe do seu corpo é mais que suficiente pra que a tal insegurança evapore... ou que só apareça por puro charme, mas bem assim, sem força...

Não sei se é mesmo questão de idade, como me disse uma pessoa mto especial na minha vida:

 "Quanto a idade de fazer o que sente! Acho que essa idade não tem começo nem fim, “desde, claro, que isso não desrespeite ninguém".”

Mas, a questão, é: mesmo diante de todas estas certezas, eu confesso, eu gostaria de ter alguém... alguém pra me achar (uma) linda depois de 12 ou 14 horas de trabalho, alguém pra me mandar flores, uma mensagem ou me ligar no meio do dia, alguém com quem eu pudesse compartilhar um cd ou um vinho... alguém que estivesse perto, ao alcance do meu corpo, das minhas mãos, dos meus olhos... alguém que esqueça as coisas que eu falo quando encontro com o José (o cuervo)rs, que sabe dos meus exageros e não esquenta com eles, que saiba lidar comigo com leveza...

Mas me recuso a ter tudo isso ou até mais ou mesmo menos se a pessoa não tem a mínima intenção de ter compromisso. E olha, não falo de casar e ter filhos, isso eu já fiz. Falo de fato e de direito de respeito, lealdade, cumplicidade (essas coisas a tanto esquecida pela sociedade pós contemporânea, entende?).

Me recuso a abrir mão dessa minha solidão feminina em detrimento de gente escrota, que acha que ser o "cara legal" é o mesmo que ter liberdade pra aprontar uma vida de idiotices com a minha pessoa.

Tenho preguiça de gente assim, tanto quanto tenho preguiça de gente dramática.

Confesso que adoro sexo, mesmo e de verdade, mas já saí do espisódio "da vida adulta" em que sexo justifica muita coisa.

Preciso de mais, na verdade, acho que preciso não é o verbo correto. Quero mais, Anseio por mais... e isso não é algo do qual eu pense em abrir mão... não agora, nem pra depois.

terça-feira, 5 de julho de 2011

sob medida...

Postado Por Keth Postado As 10:57 Com Sem Comentarios
'É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.'

 
 
 

 
Ana Jácomo